Esta é uma questão bastante difícil para mim. A gente sabe que deve disciplinar os filhos e o Pedro e eu temos absolutamente toda a intenção de fazê-lo. Mas quando começar?
O Pedro tem proposto que sejamos mais durões com o Luke, mas eu sempre tenho um motivo para adiar isso por enquanto (repare que eu usei a palavra 'motivo', e não 'desculpa'): ele tem poucas semanas de vida; ele está com cólica; ele está com refluxo; ele está cansado etc. Mas admito que a gente tem que começar a ficar esperto.
Outro dia o Luke estava muito bem, tinha comido bem, brincado um pouquinho, trocado a fralda e eu queria colocá-lo no bercinho um pouquinho para eu poder me arrumar para sairmos. No momento em que deitei ele lá, ele começou não só a reclamar ou chorar, mas soltou um berro daqueles bem altos e agudos, tipo os que ele solta quando interrompemos a mamada para arrotá-lo e ele ainda está com fome. Na mesma hora ralhei com ele. Com calma, mas firme: "Ah ah ah ah ah. Não tem necessidade de você gritar. Espera um pouquinho.". Ele, surpreso, não se deu por vencido e tentou novamente. "Ah ah ah ah ah" - firme e em alto e bom som - "Sem gritar". Ele imediatamente parou de gritar, me olhou com curiosidade e começou a brincar sozinho no berço.
O que foi isso não sei. Será que ele já começou a testar os limites da casa? Será que ele parou de gritar porque estava afim, ou será que respondeu à minha reação?
A outra situação em que tenho que usar essa voz mais firme é na hora da troca de fralda. O Luke adora se remexer e se debater no changing mat. Então na hora de colocar a fralda nova é um tal de bate perna para cá, bate perna para lá. Só que assim não dá, então nessa hora sempre mando um "Agora ajuda a mamãe", mas num tom bem sério e firme - bem diferente do tom que uso conversando com ele durante o resto da troca de fralda toda. Não é que dá certinho? Ele claramente percebe que a mamãe não quer brincar nessa hora e fica quietinho! Toda vez! Agora eu já quase não preciso falar, ele até já sabe. É claro que depois que termino de fechar sua fralda olho nos olhos dele e agradeço e elogio pelo bom comportamento e ele abre aquele sorriso! :)
Se você coloca essa questão no blog, é porque você espera comentários. Se você coloca a questão dizendo que é uma questão difícil para você, eu não posso me furtar em ajudar, pois estaria me omitindo, embora não goste de dar palpite, pois eu já criei três ao meu jeito, e agora é a sua vez de fazer ao seu jeito. Uma coisa eu posso garantir, pois aprendi por experiência: de qualquer jeito que você fizer haverá reclamação no futuro, portanto, a coisa que eu mais valorizo em educação é a coerência dos pais, sejam as coisas como forem e em que direção tomarem.
ResponderExcluirO argumento que o Luke tem cólicas, refluxo, e que nasceu ainda agora é digamos... sofrível como argumento, pois eu estou velho e durante toda a minha vida eu fiquei passando por coisas equivalentes, além do fato de que fico nascendo de novo a toda hora de todos os dias. Como disse García Márquez: “Los seres humanos no nacen para siempre el día en que sus madres los alumbran, sino que la vida los obliga otra vez y muchas veces a parirse a si mismos”. Agora acabo lembrando também o que dizia o Che: “Hay que ser duro, pero sin perder la ternura, jamás”.
E já que como hoje, ao que parece, estou maluco e desvairado por citações, aqui vai uma última: “In modus est rebus”, ou seja: “a virtude está no meio”.
Então: pai faz seu papel e mãe faz o seu. Cada qual no seu cada qual. É fundamental que vocês tenham consciência do papel de cada um, pois poder vivenciar esses papéis é extremamente importante para os filhos. Além do mais, uma das vantagens de trabalho de dupla é essa: um queima enquanto o outro sopra pra aliviar. Respeitem-se e considerem o outro. Vocês vão acertar.
No mais, Samantha, acho que você está no caminho certo.
Curiosíssima a pergunta "quando começar". Só ha uma resposta: "Demorô".
ResponderExcluirCostumo dizer que só há pessoas inocentes até, mais ou menos, a idade de 4/5 dias de vida. SEMPRE eles vão testar até onde podem ir. Não encontrando limites, vão em frente...
Sensacional já terem sido estabelecidos "acordos". Isso aí. Esse é o caminho. Parabéns!