Estava pensando se escreveria aqui sobre o parto da Julia ou não. Acabei me decidindo por escrever, não só para compartilhar a experiência com vocês, mas também para registrar tudo por escrito para mim mesma e para ela, pelos anos que virão.
É engraçado que os dois partos, do Luke e da Julia, foram normais, mas foram muito diferentes. O parto do Luke foi induzido, com dia e hora marcados. Na época, eu já estava com quase 4cm de dilatação e sem contração, e a minha médica estava prestes a sair de ferias. Eu tinha a opção de fazer o parto com outra médica, que já tinha conhecido e tudo. Mas na incerteza de como seria, preferi fazer com a minha médica logo, que me conhecia e em quem eu confiava completamente, e com quem me sentia muito a vontade.
Então, sábado, dia 27 de março de 2010, com 39 semanas e quatro dias de gravidez, cheguei ao hospital as 9h pronta para receber o Luke. A indução foi tranquila. Não foi utilizada a injeção de nenhum remédio para estimular as contrações. A minha médica simplesmente estourou a minha bolsa e me disse para aguardar. Disse até que eu poderia ir dar uma volta no parque se quisesse. Achei melhor não. Foi a sorte, porque em exatos 20 minutos as contrações começaram furiosamente. Em 3h o Luke havia nascido e estava no meu peito. Sim, apenas 3h, o que foi ótimo. O que não foi tão ótimo assim: antes de nascer, a cabeça do Luke estava um pouquinho para o lado, então foi necessário o uso de ventosa para ajeitar e ele nascer direitinho; com um bebê tão grande nascendo tão rápido, acabei tendo uma hemorragia, que teve que ser controlada (sem grandes problemas na verdade, mas dou graças a deus de ter estado num hospital e não em casa!); depois do parto senti muito frio, sede e um cansaço fenomenal o resto do dia. Dai em diante, tudo tranquilo.
Com a Julia, o parto também foi normal e rápido. Mas o fato de tudo ter se iniciado naturalmente fez uma diferença enorme. Tudo correu tão facilmente, que é difícil descrever como qualquer coisa diferente de delicioso. Sim, o parto da Ju foi delicioso.
Uma coisa que eu queria muito era sentir as contrações começarem naturalmente. E o pior é que a minha médica iria viajar no final de semana, então durante a consulta na manhã de quinta, dia 27 de março de 2014, resolvemos induzir o parto da Julia no dia seguinte. Não era o meu sonho, mas ela estava bem pertinho da due date, como o Luke, e, de novo, eu já estava com 3-4cm de dilatação.
Sai do consultório e fui comprar um bolo de aniversário para o Luke. Ele já tinha tido sua festona de 4 anos com os amigos, mas aquele era o dia dele, então celebraríamos novamente, em casa. Pouco depois de chegar em casa comecei a sentir um desconforto, mas para ser sincera pareciam mais gases do que contrações. Mas em pouco tempo aquele desconforto começou a ficar bem regular e me convenci de eram de fato contrações. Na verdade, o motivo por que fiquei na dúvida é que no parto do Luke as contrações já começaram muito fortes e desta vez não foi o caso. Eu estava conseguindo lidar com a dor (que não era nem dor, era mais um desconforto mesmo) muito mais tranquilamente. Liguei para o Pedro, que estava no trabalho, e curti para caramba dizer para ele que, sim, eu estava em trabalho de parto! O bolo do Luke ficou na geladeira...
Chegando ao hospital disse logo que queria a anestesia. Queria estar confortável e sem dor. E o legal da anestesia que eles dão aqui é que ela preserva todos os movimentos do corpo e, claro, é totalmente segura para o bebê. A partir dai tenho pouco o que escrever. Tudo correu tão bem e tão rápido! Minha dilatação continuou a progredir e em menos de 3h já estava com os tais 10cm. A partir dai, a Julia já estava tão bem encaixadinha que já nasceu na terceira contração! Não senti dor, mas senti ela nascendo, ouvi seu choro, olhei para ela e me emocionei de alegria. Não senti frio, nem sede, nem cansaço. Me senti perfeitamente bem e tranquila. Como quando tive o Luke, tive novamente uma hemorragia, novamente controlada. No dia seguinte estava voltando para casa com a minha família!
Valeu a pena ter induzido o parto do Luke, pois me permitiu estar com a minha médica. Mas confesso que fiquei muito, mas muito feliz mesmo de ter tido a experiência de sentir as primeiras contrações da Julia em casa, naturalmente.
E isso é o que eu queria registrar. :)
Adorei ler, mesmo porque desconhecia a maioria dos detalhes. Obrigado por compartilhar.
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